Eu sinto…

Eu sinto com visceralidade porque não sei sentir de outra forma

E se reclamam
do riso alto
do choro catastrófico
do silêncio constrangedor
do grito pungente

Eu sinto
ainda mais!
Eu mergulho exageradamente na vida
E ela me fere, me sufoca

Me faz sentir…
O sorriso que me atravessa
As lágrimas que me afogam
O medo paralisando meus músculos
O ódio que faz queimar minhas entranhas

A vida me corta a todo momento.
Mas eu sinto, eu aprendo, eu aceito.

Porque se há direito ao grito, eu grito
Mas se ainda há direito a vida…
Eu sinto!

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Somos seres insatisfeitos.
Poucas vezes a nossa grama parece “ok”, já perceberam? A do vizinho costuma ser mais verde.
Com as redes sociais, com essa era de tecnologia, desenvolvimento e velocidade, tudo ganha proporções gigantescas. Vitórias, derrotas…
Conquistas que deveriam ser tratadas como um parâmetro individual de melhoramento passam a serem tratadas como forma de inferiorização, muitas vezes de auto-inferiorização.
Inveja! Passamos a sentir muito mais inveja… Não porque somos pessoas recalcadas, maldosas mas porque a grama do vizinho está sempre verdinha em todas as estações, enquanto a sua parece perecer com o inverno e se descontrolar durante o verão.
Então nos sentimos culpados por não alcançar essa perfeição que esfregam em nossas faces cansadas, em nossos olhos inchados de tanto implorar por esses sorrisos e belos momentos que todos parecem ter, menos nós.
O que dizem sobre a insatisfação é que ela fará de você um ser melhor. E realmente, ela nos obriga a estar sempre atrás de algo, de um significado, de um sentido, de um objetivo… E quando pensamos alcançar, lá estão novas metas, novas linhas a serem cruzadas nessa eterna corrida por ninguém sabe o quê.
O que não nos dizem é que a beleza, a felicidade, a meta.. é ilusória. A perfeição não existe nem nos lares mais recheados de dinheiro, vida e bons drinks. Porque somos seres insatisfeitos e sempre que atingimos um objetivo, criamos outro, instintivamente.

Mas o que há de errado há em compartilhar vitórias e os objetivos alcançados? Nada, creio eu.
O erro talvez esteja em julgar que nós merecemos o bem que recebemos mas nunca o mal que nos limita. O erro talvez esteja em crer que as nossas vitórias devam ser exibidas aos outros como troféu e como prova de uma falsa vida linear, sem rompantes, plena.
Já dizia, o ilustríssimo heterônimo de Pessoa, Álvaro de Campos:
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.”

Campeões em tudo, campeões de nada.
Pois ainda não descobri em qual dessas fotografias esconde o medo, o choro, a vida real.

Ainda citando Pessoa, me pego pensando insistentemente:
“Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?”

Insatisfeita, ainda penso..

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Miragem

Olhares, horas, lugares
As lágrimas não rolam, mas há saudade.
Meu medo
é que não dá pra (te) controlar.
Queria que fosse menos fácil
tirar a minha sanidade.

Gozo, riso, vontade
Pisando em nuvens e prestes a despencar.
Teu cheiro em meu corpo
Ansiedade!
Meu coração é um músculo vivendo a parte.

Toque, sentimento, brisa
A meia-luz içando as velas
Ainda não saí
mas já me sinto perdida.

Silêncio, desculpa, componho
A despedida é inevitável
num mundo em que o sentimento é volátil
Apago as luzes
pela manhã você será mais um sonho.

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sempre perto do limite
entre a necessidade e o que meu ego exige que seja feito.
me expressar? Ok!
te esperar? Jamais.
não dá pra ser feliz se eu for deixada pra trás, dá?
e mesmo que eu não saiba o que falar eu vou dizer
qualquer bobagem que vai te surpreender
pra te envolver e te fazer pensar no
quão boa eu sou
e em como é ruim ficar sem mim na sua vida
pra assim camuflar toda solidão que me habita
toda escuridão que grita em meu peito
e não tem jeito
no final eu sempre vou chorar
de desespero,
insatisfação,
por não achar certo que o seu certo não seja o meu conforto
desgosto
des-gósto
na mesma velocidade da luz
e o seu rosto vai se apagando como um rastro de nuvem no céu
tomando mais formas que desenho de criança no papel.
vão sobrar
dois corações cheios de nada
sem emoção, sem nem razão pra pulsar
até que a gente possa encontrar novos nadas pra se apegar
pra preencher esse nosso medo de viver
sem paz em meio a sentimentos que a gente não é mais capaz de entender…

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Me(l)

Uma foto
Vários casais, duas mulheres solteiras.
Te perguntei se conseguiria medir a felicidade deles por aquela imagem.
Você me disse que as mulheres solteiras deveriam estar infelizes.
Te disse que elas estavam bem sorridentes.
Sorriso é sintoma de satisfação?
Você me respondeu: “Teatro! Elas estão sozinhas!”

Sozinhas como nunca fomos criadas para estar
Porque eles sabem que na solidão habita a liberdade
de ser
Não é um culto a individualidade
É um convite ao autoconhecimento
Com a mente limpa, com o coração aberto
Se tocando, se amando e sorrindo para céu

Sozinha, como nunca desejei estar
Como jamais imaginei ser possível sobreviver
Por medo.
Solidão!
Que terrível destino para uma mulher…

E emendava um namoro no outro
Para não me sentir vazia
Sem saber que me esvaziava
dar mais de mim do que eu era capaz de produzir
Sentia escorrer do meu ventre
Toda a vida que não satisfazia
E pediam mais e gritavam por mais

Eu como uma mãe em desespero
Acreditando que era uma obrigação alimentá-los
de mim
Mesmo que com isso eu ficasse sem nada.

Solidão!
Quando eles foram embora
Um a um
Me abandonaram.

Solidão!
Mal sabia que era a cura dos meus males.
Estar em paz comigo mesma
Sentir a vida escorregando em meu ventre

Felicidade, gostar de estar sozinha.
É mel pra uma só rainha.

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Agosto, Augusto

Augusto,
Eu sempre escrevo sobre ti..
Sobre como me causa sentimentos inexplicáveis,
sobre como me vira do avesso
e me tira do eixo.

Agosto,
assim te chamo pra personificar
e me fazer parecer menos maluca quando digo que o odeio.
Mas quando eu digo: “Augusto, te odeio!”
Ainda pareço louca, porque me perguntam: “Quem é Augusto?”
E eu não sei ao certo o que responder sobre ti.
Porque você vem como uma ventania que derruba toda e qualquer construção
Faz com que meus planos se alterem em trinta dias de pura imprevisão.
E vai embora sem que eu saiba ao certo quem tu és.

Augusto é a gosto…
Me faz querer morrer,
me põe louca de tanta confusão
Mas deixa sempre uma linda primavera como resultado do furacão.
Não sei se tu faz de propósito pra que eu possa admirar melhor todas as flores
e o raiar das cores
que Setembro tem pra mostrar.
Só sei que sua chegada estremece numa alvorada,
e me faz querer chorar.

Eu sempre escrevo sobre Augusto..
Já que não posso mudar o tempo
Aproveito Agosto pra me mudar..
Mas é que Agosto, Augusto
Sempre demora pra acabar.

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Lília *

Eu nasci nessa terra, por entre as raízes de ouro
Minha alma cheira café fresco
meus cabelos são fumaça ao vento
meu coração mora nessa mina, lapidado feito diamante
que brilha
Reflete as águas geladas das cachoeiras em que me purifico
Meus passos seguem os trilhos que cortam o caminho dos desbravadores
e sangra na terra
Fazendo fértil esse mar verde de
montanhas que se estendem até onde a vista alcança.
Meu coração bate forte nessa mina
Meu coração cresce vivo nessa mina
Meu coração mora dentro dessa mina.

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