Agosto, Augusto

Augusto,
Eu sempre escrevo sobre ti..
Sobre como me causa sentimentos inexplicáveis,
sobre como me vira do avesso
e me tira do eixo.

Agosto,
assim te chamo pra personificar
e me fazer parecer menos maluca quando digo que o odeio.
Mas quando eu digo: “Augusto, te odeio!”
Ainda pareço louca, porque me perguntam: “Quem é Augusto?”
E eu não sei ao certo o que responder sobre ti.
Porque você vem como uma ventania que derruba toda e qualquer construção
Faz com que meus planos se alterem em trinta dias de pura imprevisão.
E vai embora sem que eu saiba ao certo quem tu és.

Augusto é a gosto…
Me faz querer morrer,
me põe louca de tanta confusão
Mas deixa sempre uma linda primavera como resultado do furacão.
Não sei se tu faz de propósito pra que eu possa admirar melhor todas as flores
e o raiar das cores
que Setembro tem pra mostrar.
Só sei que sua chegada estremece numa alvorada,
e me faz querer chorar.

Eu sempre escrevo sobre Augusto..
Já que não posso mudar o tempo
Aproveito Agosto pra me mudar..
Mas é que Agosto, Augusto
Sempre demora pra acabar.

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Lília *

Eu nasci nessa terra, por entre as raízes de ouro
Minha alma cheira café fresco
meus cabelos são fumaça ao vento
meu coração mora nessa mina, lapidado feito diamante
que brilha
Reflete as águas geladas das cachoeiras em que me purifico
Meus passos seguem os trilhos que cortam o caminho dos desbravadores
e sangra na terra
Fazendo fértil esse mar verde de
montanhas que se estendem até onde a vista alcança.
Meu coração bate forte nessa mina
Meu coração cresce vivo nessa mina
Meu coração mora dentro dessa mina.

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Amor neoliberto da contemporaneidade

Quem me conhece sabe que eu sempre fui uma pessoa sentimental, passional e quase visceral em muitos aspectos (não somente nos românticos). Eu me mantive inúmeras vezes refém de amores impossíveis ou da busca por relacionamentos perfeitos, em que eu falhava miseravelmente. Eu criei um mundo paralelo onde era possível viver de amor, via tudo como dentro de um romance romântico em que eu era a mocinha e o amante, onde eu era o lamento excruciante da impossibilidade.
Mas ninguém vive realmente de amor, o amor é lindo quando relatado pelas imensas telas de cinema ou por angustiantes poemas que sem nenhuma imagem nos fazem sentir o êxtase e dor do eu-lírico, mas na realidade esse amor não existe.
Há algum tempo eu tive um encontro com uma pessoa totalmente diferente de mim, era uma pessoa desapegada, livre e bem resolvida. Era minha meta de vida materializada ali na minha frente. Resultado? Paixão! Mas justamente por ser uma pessoa tão desapegada, tão “mais à frente” do eu que pensava ser, ela me bagunçou e me reorganizou de uma forma tão simples, que a paixão foi promovida a amizade em uma fração de segundo. E a partir daí meu mundo mudou totalmente.
Dois mil e dezessete, eu continuo visceral, mas a ideia de romance romântico morreu dentro de mim. Eu passei a ver as pessoas como elas realmente são, sem fantasiar príncipes, sem criar finais maravilhosos, sem me derreter em lágrimas quando tudo dá errado. E a realidade é tão normal, tão simples, que eu já não consigo mais me apaixonar, que eu não consigo mais manter relações estáveis sem que elas se tornem superficiais.
Vocês entendem o ponto?
Que tipo de amor eu estou tentando criar? Um tipo de amor pra colocar um nome esquisito como: “amor neo-liberto da contemporaneidade”. E esse “amor” vai me levar pra onde? Pra uma dimensão de infinitas possibilidades onde ninguém se prende ou cede a ninguém, onde eu sou bem vista por ser liberta e livre, onde eu sou admirada por ser decidida e desapegada. Tão admirada quanto aquela pessoa que me mudou, era por mim. Mas é um tipo de amor egoísta e solitário, não é? Porque daí eu passei a me amar tanto, a amar estar sozinha, que eu criei um nível inatingível de “só namoro se for assim”.
Eu sempre quis falar de amor, quis viver de amor. Quando eu escrevo poesia, é pra falar de amor. Seja do meu amor por um cara, seja amor pelas minhas ideologias, seja do amor pela loucura que sempre me move. Mas quando eu matei em mim as fantasias de amor que eu levei uma vida cultivando, eu me transformei naquilo que também mata a poesia, me transformei numa piscina rasa, numa terra infértil.
E quem vai dizer que isso é amor? De próprio ele não tem nem o nome.
E eu não encontro o equilíbrio.

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Ser (in)completo

Chama de linda,
leva ela pra casa..
Diz que ela faz cara de.. safada
E depois que acaba
desembaraça e vai embora
jurando nunca mais voltar

E mesmo sabendo do seu pouco apreço
te dá prazer e faz você querer
estar no drama,
na sua cama..
Até amanhecer

Relaxa…
Ela sabe que é preciso
de mais calor.
Mas antes disso, ela vai provar dessa dor intensa que só você sabe provocar
Que é pra fazer ela falar
de amor.

De como ainda é pouco
o seu
que parece só te satisfazer
E que a faz querer se amar ainda mais

E você vai embora, sim!
Ela senta e chora, sim!
Mas ao se olhar no espelho ela ainda vai encontrar alguém
que você não é capaz de enxergar.

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Escreviver

Eu queria falar de amor.
Desde os 11 anos escrevendo poesia
Não significa que eram boas
É que eu só queria falar de amor, do que eu sentia.
Daí veio essa vida louca, vieram pessoas vazias. Levaram de mim pouco a pouco, os sonhos, as palavras a fantasia.

Não dá pra falar de amor quando o sentimento não existe.
Criolo disse esses dias: “Não existe amor em SP”
É não existe.
Em SP, no rolê, em você.
Dá pra ver? Não dá né?!

Nosso amor virou pura individualidade, ninguém mais vê romance se manifestando com a mocidade.
O que a gente vê é pegação, sexo fácil, amor líquido..
Te quero hoje..
Amanhã?
..A gente deixa isso.. pra lá!

E vai levando,
e vou levando,
vamos levando sem precisar de ninguém.
Porque amor é só gostar de si mesmo.
Foda-se se eu sou poesia no coração de alguém.

Eu quero é paz que hoje em dia só a solidão traz.
Virou fraqueza se doar.
E eu entendo
Vai se doar pra alguém que vai fazer questão de te ignorar e se esfregar em outro corpo só pra não pensar em você?

Vai ver
Que as poesias não vão mais te dizer nada
Os sentimentos serão como uma dose de tequila na balada
Você vira, se embriaga e no outro dia só fica a ressaca..
Da braba!

E eu que só queria falar de amor
Já nem sei sobre o que falar.
“Porque o amor resultou inútil
(…)
E o coração está seco”

De que me vale ter asas se elas não significam poder voar?!

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Os quatro elementos

Tem gente que nasceu pra ser mar
e molhar a seriedade do outro
pra trazer um pouco de sonho,
de histórias de lugares distantes.

Tem gente que nasceu pra voar,
pra subir cada vez mais alto sentindo o vento soprar.
Nesses casos a saudade é combustível
que permite suportar a distância.

Tem gente que nasceu pra ser fogo,
pra sentir profundamente tudo que vem,
tudo que tem de sentir
e só depois se acalmar com aquela certeza de ter dado tudo de si.

Tem gente que nasceu pra ser terra
pra ser molhada pelo mar e desejar conhecer todas as outras terras distantes
pra sentir a brisa fabricada por quem voa rasante deixando o perfume pra trás
pra abrigar o fogo, pra acalmar o fogo
pra ser lar
pra outro alguém ter pra onde voltar.

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De mim

Eu quis escrever,
escrever como quem anda sem rumo
tentando tirar do meu peito algum peso sob o qual não tenho total certeza do que se trata.
Eu quis chorar,
como as mocinhas das novelas e
desaguar todas as mágoas da vida num travesseiro marcado
com o batom vermelho da noite anterior.

Eu quis rezar,
pedir a Deus em súplica
que o meu mundo,
o nosso mundo
fosse menos frívolo.
Que sorrisos não fossem cartões de visita
pra descaso,
pra pouca empatia.

Eu quis ser mais do que um antigo amor marcante
que fez crescer o outro enquanto morria aos poucos
a cada grito,
a cada ar que faltava,
a cada abraço que deixava de dar,
de receber.

Eu quis tanto, por tanto tempo
e mal pude enxergar que todo o talento,
a esperança e o amor
que eu desejava
sempre estiveram nas palavras, na poesia
que saia pela minha boca,
pelos meus dedos,
do meu corpo.

O que eu sempre quis,
o que eu sempre precisei..
Sempre esteve gravitando em torno de mim.
E se um dia eu fui pouco,
se eu dediquei a ti meu choro, meu desespero
Talvez não seja a mim que pese o peito..
Talvez não seja em mim que sobre medo…
Talvez não seja a mim que falte amor,

Mas a ti.

 

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