sempre perto do limite
entre a necessidade e o que meu ego exige que seja feito.
me expressar? Ok!
te esperar? Jamais.
não dá pra ser feliz se eu for deixada pra trás, dá?
e mesmo que eu não saiba o que falar eu vou dizer
qualquer bobagem que vai te surpreender
pra te envolver e te fazer pensar no
quão boa eu sou
e em como é ruim ficar sem mim na sua vida
pra assim camuflar toda solidão que me habita
toda escuridão que grita em meu peito
e não tem jeito
no final eu sempre vou chorar
de desespero,
insatisfação,
por não achar certo que o seu certo não seja o meu conforto
desgosto
des-gósto
na mesma velocidade da luz
e o seu rosto vai se apagando como um rastro de nuvem no céu
tomando mais formas que desenho de criança no papel.
vão sobrar
dois corações cheios de nada
sem emoção, sem nem razão pra pulsar
até que a gente possa encontrar novos nadas pra se apegar
pra preencher esse nosso medo de viver
sem paz em meio a sentimentos que a gente não é mais capaz de entender…

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Me(l)

Uma foto
Vários casais, duas mulheres solteiras.
Te perguntei se conseguiria medir a felicidade deles por aquela imagem.
Você me disse que as mulheres solteiras deveriam estar infelizes.
Te disse que elas estavam bem sorridentes.
Sorriso é sintoma de satisfação?
Você me respondeu: “Teatro! Elas estão sozinhas!”

Sozinhas como nunca fomos criadas para estar
Porque eles sabem que na solidão habita a liberdade
de ser
Não é um culto a individualidade
É um convite ao autoconhecimento
Com a mente limpa, com o coração aberto
Se tocando, se amando e sorrindo para céu

Sozinha, como nunca desejei estar
Como jamais imaginei ser possível sobreviver
Por medo.
Solidão!
Que terrível destino para uma mulher…

E emendava um namoro no outro
Para não me sentir vazia
Sem saber que me esvaziava
dar mais de mim do que eu era capaz de produzir
Sentia escorrer do meu ventre
Toda a vida que não satisfazia
E pediam mais e gritavam por mais

Eu como uma mãe em desespero
Acreditando que era uma obrigação alimentá-los
de mim
Mesmo que com isso eu ficasse sem nada.

Solidão!
Quando eles foram embora
Um a um
Me abandonaram.

Solidão!
Mal sabia que era a cura dos meus males.
Estar em paz comigo mesma
Sentir a vida escorregando em meu ventre

Felicidade, gostar de estar sozinha.
É mel pra uma só rainha.

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Agosto, Augusto

Augusto,
Eu sempre escrevo sobre ti..
Sobre como me causa sentimentos inexplicáveis,
sobre como me vira do avesso
e me tira do eixo.

Agosto,
assim te chamo pra personificar
e me fazer parecer menos maluca quando digo que o odeio.
Mas quando eu digo: “Augusto, te odeio!”
Ainda pareço louca, porque me perguntam: “Quem é Augusto?”
E eu não sei ao certo o que responder sobre ti.
Porque você vem como uma ventania que derruba toda e qualquer construção
Faz com que meus planos se alterem em trinta dias de pura imprevisão.
E vai embora sem que eu saiba ao certo quem tu és.

Augusto é a gosto…
Me faz querer morrer,
me põe louca de tanta confusão
Mas deixa sempre uma linda primavera como resultado do furacão.
Não sei se tu faz de propósito pra que eu possa admirar melhor todas as flores
e o raiar das cores
que Setembro tem pra mostrar.
Só sei que sua chegada estremece numa alvorada,
e me faz querer chorar.

Eu sempre escrevo sobre Augusto..
Já que não posso mudar o tempo
Aproveito Agosto pra me mudar..
Mas é que Agosto, Augusto
Sempre demora pra acabar.

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Lília *

Eu nasci nessa terra, por entre as raízes de ouro
Minha alma cheira café fresco
meus cabelos são fumaça ao vento
meu coração mora nessa mina, lapidado feito diamante
que brilha
Reflete as águas geladas das cachoeiras em que me purifico
Meus passos seguem os trilhos que cortam o caminho dos desbravadores
e sangra na terra
Fazendo fértil esse mar verde de
montanhas que se estendem até onde a vista alcança.
Meu coração bate forte nessa mina
Meu coração cresce vivo nessa mina
Meu coração mora dentro dessa mina.

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Amor neoliberto da contemporaneidade

Quem me conhece sabe que eu sempre fui uma pessoa sentimental, passional e quase visceral em muitos aspectos (não somente nos românticos). Eu me mantive inúmeras vezes refém de amores impossíveis ou da busca por relacionamentos perfeitos, em que eu falhava miseravelmente. Eu criei um mundo paralelo onde era possível viver de amor, via tudo como dentro de um romance romântico em que eu era a mocinha e o amante, onde eu era o lamento excruciante da impossibilidade.
Mas ninguém vive realmente de amor, o amor é lindo quando relatado pelas imensas telas de cinema ou por angustiantes poemas que sem nenhuma imagem nos fazem sentir o êxtase e dor do eu-lírico, mas na realidade esse amor não existe.
Há algum tempo eu tive um encontro com uma pessoa totalmente diferente de mim, era uma pessoa desapegada, livre e bem resolvida. Era minha meta de vida materializada ali na minha frente. Resultado? Paixão! Mas justamente por ser uma pessoa tão desapegada, tão “mais à frente” do eu que pensava ser, ela me bagunçou e me reorganizou de uma forma tão simples, que a paixão foi promovida a amizade em uma fração de segundo. E a partir daí meu mundo mudou totalmente.
Dois mil e dezessete, eu continuo visceral, mas a ideia de romance romântico morreu dentro de mim. Eu passei a ver as pessoas como elas realmente são, sem fantasiar príncipes, sem criar finais maravilhosos, sem me derreter em lágrimas quando tudo dá errado. E a realidade é tão normal, tão simples, que eu já não consigo mais me apaixonar, que eu não consigo mais manter relações estáveis sem que elas se tornem superficiais.
Vocês entendem o ponto?
Que tipo de amor eu estou tentando criar? Um tipo de amor pra colocar um nome esquisito como: “amor neo-liberto da contemporaneidade”. E esse “amor” vai me levar pra onde? Pra uma dimensão de infinitas possibilidades onde ninguém se prende ou cede a ninguém, onde eu sou bem vista por ser liberta e livre, onde eu sou admirada por ser decidida e desapegada. Tão admirada quanto aquela pessoa que me mudou, era por mim. Mas é um tipo de amor egoísta e solitário, não é? Porque daí eu passei a me amar tanto, a amar estar sozinha, que eu criei um nível inatingível de “só namoro se for assim”.
Eu sempre quis falar de amor, quis viver de amor. Quando eu escrevo poesia, é pra falar de amor. Seja do meu amor por um cara, seja amor pelas minhas ideologias, seja do amor pela loucura que sempre me move. Mas quando eu matei em mim as fantasias de amor que eu levei uma vida cultivando, eu me transformei naquilo que também mata a poesia, me transformei numa piscina rasa, numa terra infértil.
E quem vai dizer que isso é amor? De próprio ele não tem nem o nome.
E eu não encontro o equilíbrio.

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Ser (in)completo

Chama de linda,
leva ela pra casa..
Diz que ela faz cara de.. safada
E depois que acaba
desembaraça e vai embora
jurando nunca mais voltar

E mesmo sabendo do seu pouco apreço
te dá prazer e faz você querer
estar no drama,
na sua cama..
Até amanhecer

Relaxa…
Ela sabe que é preciso
de mais calor.
Mas antes disso, ela vai provar dessa dor intensa que só você sabe provocar
Que é pra fazer ela falar
de amor.

De como ainda é pouco
o seu
que parece só te satisfazer
E que a faz querer se amar ainda mais

E você vai embora, sim!
Ela senta e chora, sim!
Mas ao se olhar no espelho ela ainda vai encontrar alguém
que você não é capaz de enxergar.

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Escreviver

Eu queria falar de amor.
Desde os 11 anos escrevendo poesia
Não significa que eram boas
É que eu só queria falar de amor, do que eu sentia.
Daí veio essa vida louca, vieram pessoas vazias. Levaram de mim pouco a pouco, os sonhos, as palavras a fantasia.

Não dá pra falar de amor quando o sentimento não existe.
Criolo disse esses dias: “Não existe amor em SP”
É não existe.
Em SP, no rolê, em você.
Dá pra ver? Não dá né?!

Nosso amor virou pura individualidade, ninguém mais vê romance se manifestando com a mocidade.
O que a gente vê é pegação, sexo fácil, amor líquido..
Te quero hoje..
Amanhã?
..A gente deixa isso.. pra lá!

E vai levando,
e vou levando,
vamos levando sem precisar de ninguém.
Porque amor é só gostar de si mesmo.
Foda-se se eu sou poesia no coração de alguém.

Eu quero é paz que hoje em dia só a solidão traz.
Virou fraqueza se doar.
E eu entendo
Vai se doar pra alguém que vai fazer questão de te ignorar e se esfregar em outro corpo só pra não pensar em você?

Vai ver
Que as poesias não vão mais te dizer nada
Os sentimentos serão como uma dose de tequila na balada
Você vira, se embriaga e no outro dia só fica a ressaca..
Da braba!

E eu que só queria falar de amor
Já nem sei sobre o que falar.
“Porque o amor resultou inútil
(…)
E o coração está seco”

De que me vale ter asas se elas não significam poder voar?!

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