Amor neoliberto da contemporaneidade

Quem me conhece sabe que eu sempre fui uma pessoa sentimental, passional e quase visceral em muitos aspectos (não somente nos românticos). Eu me mantive inúmeras vezes refém de amores impossíveis ou da busca por relacionamentos perfeitos, em que eu falhava miseravelmente. Eu criei um mundo paralelo onde era possível viver de amor, via tudo como dentro de um romance romântico em que eu era a mocinha e o amante, onde eu era o lamento excruciante da impossibilidade.
Mas ninguém vive realmente de amor, o amor é lindo quando relatado pelas imensas telas de cinema ou por angustiantes poemas que sem nenhuma imagem nos fazem sentir o êxtase e dor do eu-lírico, mas na realidade esse amor não existe.
Há algum tempo eu tive um encontro com uma pessoa totalmente diferente de mim, era uma pessoa desapegada, livre e bem resolvida. Era minha meta de vida materializada ali na minha frente. Resultado? Paixão! Mas justamente por ser uma pessoa tão desapegada, tão “mais à frente” do eu que pensava ser, ela me bagunçou e me reorganizou de uma forma tão simples, que a paixão foi promovida a amizade em uma fração de segundo. E a partir daí meu mundo mudou totalmente.
Dois mil e dezessete, eu continuo visceral, mas a ideia de romance romântico morreu dentro de mim. Eu passei a ver as pessoas como elas realmente são, sem fantasiar príncipes, sem criar finais maravilhosos, sem me derreter em lágrimas quando tudo dá errado. E a realidade é tão normal, tão simples, que eu já não consigo mais me apaixonar, que eu não consigo mais manter relações estáveis sem que elas se tornem superficiais.
Vocês entendem o ponto?
Que tipo de amor eu estou tentando criar? Um tipo de amor pra colocar um nome esquisito como: “amor neo-liberto da contemporaneidade”. E esse “amor” vai me levar pra onde? Pra uma dimensão de infinitas possibilidades onde ninguém se prende ou cede a ninguém, onde eu sou bem vista por ser liberta e livre, onde eu sou admirada por ser decidida e desapegada. Tão admirada quanto aquela pessoa que me mudou, era por mim. Mas é um tipo de amor egoísta e solitário, não é? Porque daí eu passei a me amar tanto, a amar estar sozinha, que eu criei um nível inatingível de “só namoro se for assim”.
Eu sempre quis falar de amor, quis viver de amor. Quando eu escrevo poesia, é pra falar de amor. Seja do meu amor por um cara, seja amor pelas minhas ideologias, seja do amor pela loucura que sempre me move. Mas quando eu matei em mim as fantasias de amor que eu levei uma vida cultivando, eu me transformei naquilo que também mata a poesia, me transformei numa piscina rasa, numa terra infértil.
E quem vai dizer que isso é amor? De próprio ele não tem nem o nome.
E eu não encontro o equilíbrio.

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