Me(l)

Uma foto
Vários casais, duas mulheres solteiras.
Te perguntei se conseguiria medir a felicidade deles por aquela imagem.
Você me disse que as mulheres solteiras deveriam estar infelizes.
Te disse que elas estavam bem sorridentes.
Sorriso é sintoma de satisfação?
Você me respondeu: “Teatro! Elas estão sozinhas!”

Sozinhas como nunca fomos criadas para estar
Porque eles sabem que na solidão habita a liberdade
de ser
Não é um culto a individualidade
É um convite ao autoconhecimento
Com a mente limpa, com o coração aberto
Se tocando, se amando e sorrindo para céu

Sozinha, como nunca desejei estar
Como jamais imaginei ser possível sobreviver
Por medo.
Solidão!
Que terrível destino para uma mulher…

E emendava um namoro no outro
Para não me sentir vazia
Sem saber que me esvaziava
dar mais de mim do que eu era capaz de produzir
Sentia escorrer do meu ventre
Toda a vida que não satisfazia
E pediam mais e gritavam por mais

Eu como uma mãe em desespero
Acreditando que era uma obrigação alimentá-los
de mim
Mesmo que com isso eu ficasse sem nada.

Solidão!
Quando eles foram embora
Um a um
Me abandonaram.

Solidão!
Mal sabia que era a cura dos meus males.
Estar em paz comigo mesma
Sentir a vida escorregando em meu ventre

Felicidade, gostar de estar sozinha.
É mel pra uma só rainha.

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