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Somos seres insatisfeitos.
Poucas vezes a nossa grama parece “ok”, já perceberam? A do vizinho costuma ser mais verde.
Com as redes sociais, com essa era de tecnologia, desenvolvimento e velocidade, tudo ganha proporções gigantescas. Vitórias, derrotas…
Conquistas que deveriam ser tratadas como um parâmetro individual de melhoramento passam a serem tratadas como forma de inferiorização, muitas vezes de auto-inferiorização.
Inveja! Passamos a sentir muito mais inveja… Não porque somos pessoas recalcadas, maldosas mas porque a grama do vizinho está sempre verdinha em todas as estações, enquanto a sua parece perecer com o inverno e se descontrolar durante o verão.
Então nos sentimos culpados por não alcançar essa perfeição que esfregam em nossas faces cansadas, em nossos olhos inchados de tanto implorar por esses sorrisos e belos momentos que todos parecem ter, menos nós.
O que dizem sobre a insatisfação é que ela fará de você um ser melhor. E realmente, ela nos obriga a estar sempre atrás de algo, de um significado, de um sentido, de um objetivo… E quando pensamos alcançar, lá estão novas metas, novas linhas a serem cruzadas nessa eterna corrida por ninguém sabe o quê.
O que não nos dizem é que a beleza, a felicidade, a meta.. é ilusória. A perfeição não existe nem nos lares mais recheados de dinheiro, vida e bons drinks. Porque somos seres insatisfeitos e sempre que atingimos um objetivo, criamos outro, instintivamente.

Mas o que há de errado há em compartilhar vitórias e os objetivos alcançados? Nada, creio eu.
O erro talvez esteja em julgar que nós merecemos o bem que recebemos mas nunca o mal que nos limita. O erro talvez esteja em crer que as nossas vitórias devam ser exibidas aos outros como troféu e como prova de uma falsa vida linear, sem rompantes, plena.
Já dizia, o ilustríssimo heterônimo de Pessoa, Álvaro de Campos:
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.”

Campeões em tudo, campeões de nada.
Pois ainda não descobri em qual dessas fotografias esconde o medo, o choro, a vida real.

Ainda citando Pessoa, me pego pensando insistentemente:
“Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?”

Insatisfeita, ainda penso..

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